De saída da presidência do OSPS, Vinicius Parracho concedeu uma entrevista ao Observatório e faz um balanço dos dois anos que permaneceu no cargo

Observatório Social de Porto Seguro: Completados os dois anos da sua gestão à frente do OSPS, quais os pontos positivos que, em sua opinião, merecem destaque?
Vinicius Parracho: Acredito que conseguimos evoluir como entidade de terceiro setor e ganhar um papel de maior relevância tanto no aspecto local, nos tornando uma ferramenta da população de Porto Seguro, quanto no âmbito nacional, colocando o OSPS como um dos mais produtivos Observatórios Sociais do Brasil. O Observatório Social de Porto Seguro conseguiu demonstrar à população e especialmente para o Poder Público que é um instrumento para auxiliar na gestão, e não para criar obstáculos.

OSPS: Você acredita então que houve uma melhora na forma como o Poder Público enxerga o OSPS?
VP: Com certeza! Gostei muito da postura da atual gestora quando afirmou que o Observatório Social funciona não só como os olhos da população, mas também da própria Administração. Esta é justamente a visão que pretendemos com o OSPS, o que queremos é auxiliar. Temos plena ciência que Porto Seguro é um município extremamente complexo, com mais de sete mil funcionários, é impossível para a Administração ser onipresente e onisciente.

OSPS: Você pode citar exemplos deste auxílio?
VP: Claro, por exemplo, nós auxiliamos a Comissão de Licitação apresentando cotações paralelas de preço de produtos a serem adquiridos. Isso ajuda muito a Comissão a garantir que a Prefeitura está pagando o menor preço de mercado nos produtos que adquire. Além disso podemos citar a melhora nos postos de saúde com o controle do ponto eletrônico, das instalações e dos medicamentos. A Prefeitura chegou inclusive a afastar um médico que não estava atendendo às exigências do cargo que exercia. Além disso auxiliamos na realização do TAC das balsas, que trará uma melhora significativa no transporte do município. São claros exemplos de que a população pode ajudar a gerir seu próprio município e todos saem ganhando.

OSPS: O TAC das balsas ganhou bastante destaque na mídia local, qual o balanço do resultado final?
VP: Muito positivo! Foi muito gratificante ver todo o resultado decorrente do esforço mútuo de tantos envolvidos. O resultado ainda será sentido pela população, já que grande parte das obras serão retomadas agora, após o carnaval. Posso dizer que é uma das grandes contribuições do OSPS neste período em que estive a frente da entidade. O TAC mostrou também a importância do envolvimento de entidades como a OAB, o Ministério Público Estadual e em especial o Ministério Público Federal, que conduziu com maestria todo o processo. É por isso que ressalto a importância de compreender o papel do OSPS como uma entidade de auxílio, tenho certeza que a Prefeitura assim nos enxerga.

OSPS: E o Legislativo?
VP: Também temos encontrado solo fértil para apresentar nossas sugestões. O atual presidente da Câmara já iniciou sua gestão nos chamando para uma reunião, ouviu nossas propostas e acredito que teremos uma considerável ampliação da transparência e melhora na gestão do duodécimo, reduzindo gastos com combustível, diárias e passagens aéreas, por exemplo.

OSPS: E os pontos negativos?
VP: Enfrentamos alguns. Tivemos de lidar com a perda prematura de um dos mais importantes membros da associação, o que nos abalou profundamente, a mim em especial. Enfrentamos dificuldades com a coordenação de tantos voluntários e tantos projetos ao mesmo tempo, o que nos exige a todo tempo uma gestão profissional. Tivemos dificuldade ainda na divulgação das nossas conquistas, que vem sendo solucionado com a criação do setor específico de comunicação.

OSPS: Mudando de assunto, você poderia ter se colocado à disposição para uma reeleição à presidência do OSPS, por que não o fez?
VP: Inicialmente porque ocupar a presidência da entidade exige dedicação. Acredito que contribui durante esse biênio com afinco, mas agora preciso me dedicar a outros objetivos de cunho pessoal, como meu curso de mestrado. Além disso, pessoalmente, vejo mais malefícios do que benefícios no sistema de reeleição. O OSPS durante dois anos seguiu a visão desta diretoria, é importante que novos membros ocupem os cargos e tragam novas ideias, afinal, o que caracteriza a vitalidade de uma entidade de terceiro setor é sua oxigenação. É um indicativo de que algo vai mal quando uma entidade permanece durante muito tempo com os mesmos diretores.

OSPS: Você sairá do OSPS definitivamente então?
VP: Apenas de cargos eletivos. O trabalho do Observatório é fundamental e permanecerei como voluntário e associado. Gosto muito do projeto de monitoramento dos postos de saúde, sempre que possível irei acompanhar o trabalho das unidades de Arraial d’Ajuda.

OSPS: Quais os desafios que você vê para a próxima diretoria?
VP: Acredito que será implementar novos projetos, bem como ampliar o número de voluntários e mantenedores. Além disso concretizar nosso sonho de trazer em 2018 o ENOS para Porto Seguro, que é o Encontro Nacional dos Observatórios Sociais. Pela relevância nacional que Porto Seguro possui, podemos fazer da cidade um polo de transparência e qualidade de gestão.

OSPS: Você acredita então que Porto Seguro pode se tornar referência nacional neste aspecto?
VP: Sem dúvidas! Porto Seguro é o berço da nação, foi a partir daqui que nosso país se desenvolveu, por que não ser aqui também o marco inicial para uma gestão transparente e participativa?

OSPS: Alguma mensagem final?
VP: Apenas agradecer a toda equipe do Observatório Social de Porto Seguro, foram dois anos muito gratificantes.